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04/11/2014

Café arábica produzido na China ganha espaço em "blends" na Europa

Por Emiko Terazono | Financial Times, de Londres 

Tradicionalmente conhecida por seus ótimos chás, a China começa a se destacar também como um país produtor de café arábica de boa qualidade. Identificado por seu aroma frutado e por ser suavemente encorpado, o café da Província de Yunnan, no sudoeste do país, já se tornou base para alguns blends vendidos na Europa, segundo torrefadoras e tradings internacionais da commodity. 

"O sabor e o aroma suaves são similares aos dos grãos de Honduras ou da Guatemala", afirma Wouter DeSmet, chefe da equipe de serviços agrícolas de café da Nestlé. Um número cada vez maior de agricultores de Yunnan vem se dedicando ao café, que traz retornos maiores quando comparado a outros cultivos. Em 2012, a renda por hectare dos produtores com o café foi duas vezes maior do que a obtida com o chá, de acordo com DeSmet. 

A Nestlé começou a operar em Yunnan no fim dos anos 1980, oferecendo treinamento e garantindo a compra da oferta dos cafeicultores. Desde 2005, seu número de fornecedores na Província cresceu de 147 para 2 mil. Na região, marcadas por férteis montanhas, 80 mil agricultores já cultivam café e chá ou só o café arábica - diferentemente da maior parte da produção da Ásia, onde prevalece a espécie robusta, de menor qualidade. 

O arábica, usado essencialmente em cappuccinos e expressos, foi levado a Yunnan por um missionário francês no fim dos anos 1880. Mas o plantio decolou apenas um século depois, graças a investimentos do governo e a um programa de desenvolvimento da ONU. Nos últimos dez anos, as exportações chinesas têm crescido de forma constante. O volume subiu de 137 mil sacas, em 1998, para 1,1 milhão em 2002, patamar similar ao da Costa Rica e equivalente a quase 1% do total mundial. 

Para garantir o fornecimento de café, multinacionais e tradings começaram a estabelecer bases de operação em Yunnan, que faz fronteira com Vietnã - maior país produtor da espécie robusta do mundo -, Laos e Mianmar. A Volcafe, unidade suíça de comercialização de café da ED&F Man, é a mais recente empresa a criar um empreendimento conjunto de processamento e compras com um grupo local, a Simao Arabicas Coffee Company. A americana Starbucks está na região há mais tempo; em 2012, implantou uma joint venture com o Ai Ni Group, uma companhia de agronegócios de Yunnan. 

A onda de expansão da produção chega enquanto o consumo de café na China aumenta em torno de 15% ao ano, em comparação ao crescimento de 2% no mundo como um todo. 

Valor Econômico - 04/11/14