Fique por Dentro

 

Notícias e Eventos

30/09/2016

Cidade vive um ano com racionamento

Marilândia, no Noroeste do Estado, foi o primeiro município a racionar água no Espírito Santo. Em outubro completa um ano de racionamento, mas caso não chova, o problema estará longe de acabar.

 

O racionamento no município começou no dia 13 de outubro após o Rio São Pedro e Rio Liberdade secarem. Os rios abasteciam a represa do município com capacidade para 230 milhões de litros de água, que secou em março deste ano. Com isso, o município procurou alternativas com carros-pipas e poços, na cidade e no interior, para abastecer a população.

 

Atualmente, para abastecer os 8 mil moradores a água é captada de dois poços artesianos, que ficam a 100 metros de profundidade na sede do município, e dois carros-pipas buscam água no interior. O racionamento é feito das 18 horas às 8 horas, um dia sim e outro não.

 

O racionamento trouxe consequências para a população. Há um ano a dona de casa Ednéa Lorenzoni fez mudanças no dia a dia. Ela comprou uma bacia com capacidade para 50 litros, que fica sempre embaixo do chuveiro. A água do banho ela usa na descarga. Ela tirou a ligação da máquina de lavar do esgoto para não perder água e utilizá-la na limpeza da casa.

 

“A solução tem sido economizar e fazer a nossa parte. Acredito que, mesmo quando chover e tiver muita água nos rios, eu vou continuar fazendo isso”, comenta.

 

Segundo o diretor do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Saae), Wagner Lorenzini, as chuvas vêm reduzindo nos últimos anos no município e, caso não chova o suficiente, o racionamento pode se estender ainda mais.

 

“Precisamos de pelo menos 600 milímetros para normalizar a situação. O normal de chover em um ano em Marilândia é de 1.150 milímetros, mas este ano só choveu 255 milímetros”, afirma.

 

O município fica localizado na Região Noroeste, uma das mais prejudicadas pela seca. Dos 21 municípios, 15 realizam racionamento. Apenas quatro municípios da região têm algum tipo de lei ou decreto para a economia de água: Marilândia, Vila Pavão, Mantenópolis e Vila Valério.

 

Na cidade, para diminuir o consumo, foi criada a Tarifa de Contingência. O diretor do Saae acredita que a lei ajudou na redução do consumo de água, que foi de aproximadamente 40%.

 

“Além das campanhas que foram feitas e a visão do povo que a crise se agravou, nós criamos a tarifa de contingência que força a pessoa a economizar. A população percebeu a gravidade da crise e há uma economia boa de água”, finaliza Wagner.

 

Para a cobrança da tarifa, é realizado a média de consumo de água dos últimos 12 meses. Se a pessoa consumir abaixo da média, ela paga o valor normal da conta. Se ela gastar a média, paga 20% a mais na conta. Se a pessoa consumir mais água que a média de consumo, paga 40% mais caro.

 

Situação

Represa e rios secos

O racionamento começou no dia 13 de outubro após o Rio São Pedro e Rio Liberdade secarem. A represa secou em março deste ano. A cidade está sendo abastecida com dois carros-pipas e dois poços

 

Lei

Tarifa de contingência

A tarifa multa quem atingir e ultrapassar a média de consumo dos últimos 12 meses

 

População

Mudança de hábito

Algumas medidas foram tomadas para economizar água, como bacia no chuveiro, com a água do banho sendo usada na descarga. A água que lavar vasilha serve para regar plantas. A água da máquina de lavar é utilizá-la na casa.


Por Raquel Lopes
rflopes@redegazeta.com.br
Foto: Raquel Lopes

Fonte: Jornal A Gazeta - Vitória/ES, 30/09/2016, pag. 4