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24/01/2017

JDE adquire marcas de café da Cacique no Brasil

Por Alda do Amaral Rocha


A Jacobs Douwe Egberts (JDE), companhia global de cafés e chás, que é dona das marcas Pilão, Café do Ponto, Caboclo e Seleto no país, anunciou ontem a "intenção de adquirir no Brasil o portfólio de marcas locais de café da Cia Cacique, entre elas Pelé, Graníssimo e Tropical".
O valor da operação e outros detalhes do negócio não foram divulgados. Segundo a companhia, a operação – que está sujeita à aprovação das autoridades regulatórias brasileiras – "irá complementar o portfólio da JDE Brasil e fortalecer a sua liderança em regiões estratégicas no país".
A operação é mais uma passo na estratégia da JDE, que tem sede na Holanda e fatura globalmente cerca de € 5 bilhões por ano, de avançar no mercado brasileiro, onde tem cerca de 15% dos volumes de café – considerando um consumo interno de 21 milhões de sacas (torrado e moído e solúvel). A líder no mercado brasileiro é a 3Corações, resultado da joint venture entre a São Miguel Holding e a israelense Strauss.
O negócio só envolve as marcas da Companhia Cacique de Café Solúvel no mercado doméstico. A Cacique continuará produzindo em suas unidades de Barueri (SP) e Londrina (PR), atuando na exportação de café solúvel com a marca Pelé e exportando solúvel para empresas que o comercializam com outras marcas no exterior, apurou o Valor. Um importante mercado para o café solúvel da empresa é a Rússia, para onde a Cacique exporta desde o fim dos anos 1960, para a ainda então União Soviética.
Em comunicado a parceiros comerciais, a Cacique informou que assim que a transação for aprovada, a empresa "passará a concentrar seus esforços em seu core business, café solúvel, objetivando manter a liderança neste importante segmento do mercado de café, no qual a Cacique é uma das maiores produtoras e maior exportadora".
Conforme a Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics), o Brasil exportou o equivalente a 3,8 milhões de sacas de café solúvel em 2016. A Cacique, que vende a mais de 70 países, foi responsável por 34% desse volume.
Ao Valor, o diretor-executivo da Cacique, Paulo Rufino de Melo e Silva Júnior, declinou de dar detalhes do negócio, mas disse que "a operação de café solúvel continua sendo da empresa e que a Cacique deixará de industrializar café torrado e moído".
O anúncio da JDE é mais um capítulo do movimento de consolidação do mercado brasileiro de café, que ganhou força nos últimos anos. Segundo analistas, as margens baixas do setor pressionam as empresas médias de café no Brasil, que enfrentam dificuldade de concorrer com as companhias com grande escala de produção. Esse cenário se acirrou em 2016 com a alta da matéria-prima no mercado.
Em abril de 2016, a JDE já havia adquirido o Grupo Seleto, que atua no segmento de café torrado e moído, solúvel e cápsulas. O negócio envolveu a marca de café Seleto e toda a operação de manufatura do grupo em Minas Gerais. Um mês antes, a 3Corações havia anunciado a compra das marcas de café solúvel da Café Iguaçu (Iguaçu, Cruzeiro e Amigo). A 3corações também fez um acordo de longo prazo com a Iguaçu para o fornecimento do café solúvel que será comercializado com as três marcas.
Para Aguinaldo José de Lima, diretor de relações institucionais da Abics, a transação entre JDE e Cacique é positiva para o setor de café solúvel, pois pode alavancar o consumo interno, que está estagnado em 1,1 milhão de sacas. Seu argumento é que a JDE é especializada no mercado de marcas e tem uma grande capacidade de distribuição no mercado interno.
A JDE é resultado da fusão da holandesa DE Master Blenders 1753 com a área de café da americana Mondelez desde maio de 2014. A DE Master Blenders, por sua vez, resultou da cisão promovida pela americana Sara Lee em 2012, em seus negócios de café. No ano seguinte, a DE Master Blenders foi adquirida pela JAB Holding, braço de investimentos da família alemã Reimann.

 

Fonte:
Valor Econômico, 24/01/2017